31 March 2007
30 March 2007
"Human behaviour is pattern recognition"

Segunda-feira eu estava na minha, começando a semana em meio a alguma agitação mental quando resolvi seguir o conselho do meu dupla e dar uma atenção ao Wee Feel Fine. Entrei sem muita esperança, mergulhando em mais um dos incontáveis thumbnails de referências que passam voando pela minha inbox todos os dias (e que nunca consigo dar conta). Demorei a entender do que se tratava, mas o fato é que depois de meia hora eu continuava navegando no site fascinado não só com o projeto em si, mas com a visão interessante que tem por trás dele e também pelos pontos de contato humano a que ele me levou.
Explicando mais um pouco: Wee Feel Fine é um site que vasculha periodicamente milhares de blogs procurando por frases que contenham a expressão "I feel" ou "I am feeling". A partir desse mapeamento, o site classifica automaticamente os sentimentos e cruza com dados geográficos e pessoais fornecidos pelos profiles dos blogs. Essas estatísticas são então transformadas em um panorama gráfico e orgânico dos mais simples: bolinhas coloridas que se organizam e se movimentam na tela de acordo com o recorte que o visitante escolhe.
Talvez seja complicado de entender assim, por isso eu realmente recomendo que você dê uma visitada no site e não fique aqui só lendo sobre ele.
Lá você vai descobrir não só frases absolutamente corriqueiras (mas que no meio de uma tarde de trabalho intenso podem abrir um pouco o coração) e também montagens de fotos com essas frases corriqueiras. As fotos também são buscadas nos blogs, se não me engano.
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É o tipo de trabalho que tem, em mim, o mesmo efeito que dar uma navegada no Post Secret: você encontra pequenos pontos de contato humano que te fazem dar uma olhada para o lado e ver o quanto está atucanado. É a minha experiência, vamos ver qual é a sua.
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Se você for um pouco mais adiante, vai encontrar os outros trabalhos do Jonathan Harris, como o Ten by Ten e o curioso Wordcount.
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Eu tenho mais a falar sobre o Harris e lamento não ter conhecido seu trabalho antes. Mas vou guardar algumas considerações (o contato humano na internet, a pouca abrangência desse tipo de projeto por causa da língua e de fatores econômicos) para um artigo que talvez role para uma nova revista.
29 March 2007
28 March 2007
Informantes do Conector
Esses tempos eu fiz um post falando que costumava visitar meia dúzia de páginas e blogs diariamente pra ir em busca de insights e inspiração. Me dei conta que foi ridículo eu não citá-los e espalhar essas referências, porque referencias têm que ser compartilhadas. Também seguem comentários rápidos sobre o que meu olho procura nesses sites. Obviamente essa lista é orgânica. Há um esqueleto básico que volta e meia ganha adições e subtrações. Claro que fora esses sites, semanalmente eu vivo visitando dezenas de outras localidades. Mas aí vão os mais frequentados do momentum.
1. Trabalho Sujo
Uma das minhas fontes prediletas porque volta e meia o Matias senta e fica numas VIAJÊRA BRABA a respeito de cultura pop e tecnologia. Mas são umas VIAJÊRAS BRABAS que fazem muito sentido pra quem entra na batida e que antecipam muitos movimentos. Fora isso, ainda tem ótimos podcasts e uma marra curiosa temperando tudo.
2. Tiago Dória Weblog
Updates ricos e diários a respeito de tecnologia e uma certa ênfase na tal blogosfera. Mas ao mesmo tempo o foco é um pouco mais amplo, não ficando totalmente perdido dentro do mundo geek. Não tem só referências e notícias jogadas a esmo, mas costuras com um olhar aguçado e particular.
3. Say Whisky
Fotos inspiradoras sem nhenhenhém. Cortesia do André Takeda, que é escritor e diretor de criação de TV branding (ou seja lá como se chama aquilo) na Fox Argentina.
4. El Cabong
A música pra mim é sempre uma porta de entrada para compreender outros mundos. No caso do El Cabong, a cobertura que o Luciano Mattos faz da música baiana pelo viés, ahnm, alternativo, oferece uma janela para a cultura do estado brasileiro que mais exporta cultura pop no país depois do Rio de Janeiro. Ajuda a entender um pouco do Brasil.
5. Urbe
Outro blog de música que acaba trazendo raciocínios interessantes sobre o estado das coisas em geral. Mas não é algo que esteja explícito, é a varredura que eu faço. O Bruno Natal tem uma predileção especial por batidas graves e quebradas, escreve matérias pra americana 8XLTR e está finalizando um documentário sobre dub. Quer mais? Ele trabalhou num docuentário sobre o Chico Buarque e também noutro sobre o Jota Quest. Adoro gente que viaja entre o mainstream e o underground.
6. Autoliniers
Uma das minhas maiores descobertas do ano passado graças ao Takeda. Liniers é um cartunista argentino que consegue ser demente e doce ao mesmo tempo em um espaço tão exíguo quanto uma tira. Me abre os horizontes em momentos de torpor mental.
7. Tzal
O Eduardo Pinheiro é um homem-bomba conceitual: um budista infiltrado na Filosofia da UFRGS. Não sei onde isso vai dar, mas por enquanto dá no Tzal, um blog que consegue alinhar o que a doutrina budista tem de mais profundo com expoentes do pensamento ocidental como Phillip K Dick e Larry David.
8. Quiroga
Eu lia quatro horóscopos por dia. Agora reduzi pra dois (porque os outros dois me aterrorizavam) e o que acho mais inspirador é o do Quiroga.
9. Informations Architets
Tava faltando uns sites gringos pra dar mais chinfra nessa lista. Então aqui vai o primeiro: o blog do Information Architets, uma agência de design japonesa que sempte tem uns textinhos interessantes. Nunca é nada muito bombástico, mas eles têm uma visão de simplificar e organizar esse caos de informações atuais que ajuda bastante.
10. Pingmag
Outro site japonês. Gosto do slogan: "The Tokyo Based Magazine about Design and Making Things". Entrevistas, matérias, referências. É uma beleza, dá uma vasculhada.
11. Bitpapo com Sec2o
Além de metralhar referências inovadoras, o Secco inventou esse lance chamado BitPapo, que consiste em ficar chamando os parceiros dele pra conversas filosóficas a respeito de tecnologia e da vida em geral. Alguma coisa boa sempre sai!
***
Bom proveito.
Uma boa notícia

"hi...
here's a few things you might wanna know about..
1. we have a new record coming out
2. it's gonna be sick
3. we're playing a bunch of shows this summer (see below)
4. they're gonna be sick
5. we're gonna play some instrumental only shows also... (you know..drums..bass..guitar..keyboard..percussion..)
6. better call your doctor..cause they're gonna be sick
7. it's gonna be a gala event
8. we're changing up the website...sick
9. got new gear coming soon...again...sick..
10. go see a tailor and get tapered up...
see you soon....beastie boys"
Comentando os comentários
27 March 2007
Não tem nenhum Wally Escondido

-----Mensagem original-----
De: Will [mailto:will@wonkavision.com.br]
Enviada em: quarta-feira, 21 de março de 2007 17:44
Para: Mini
Cc: Gustavo Mini
Assunto: Snack Culture
Oi Mini:
O conector começou a me incomodar (de um jeito bom).
Comprei a Wired hoje, mas ainda não tive tempo de ler. Li apenas o que tinha no site. Mas fiquei pensando ontem sobre o assunto: Snack Culture e LowRes.
Me dei conta de algo, que ainda não sei se foi comentado.
Gostei da tua definição sobre beijo na boca em festas, e aquilo me fez pensar nos relacionamentos de hoje, principalmente, pelo MSN.
Não sei quanto a ti, mas conheço várias pessoas que colecionam Snack Friends pelo MSN.
São pessoas que nunca se encontraram em carne e osso, e tudo que se sabe e se aprecia sobre esta pessoa é o interesse comum em um determinado nicho.
Como exemplo, pegue esta menina de 18 anos que conheci (online, obviamente) por causa da Wonkavision. Ela faz propaganda da banda para vários consumidores de música em outros países, "snack amigos" dela. A maioria desse pessoal ela conhece pela lista de outra banda favorita dela. E são pessoas que ele conversa diariamente, do outro lado do mundo. Outro dia, esta mesma menina aparece com outro nick no MSN, e eu a chamo por este nick. E então ela me diz: Ah, é estranho tu me chamar desse nome. Eu perguntei pq. Ela disse que esse é o nome dela num jogo on-line, o qual ela joga "semi-profissionalmente". E que naturalmente, só os "snack amigos" dela, que ela pseudo-conhece através do jogo, chamam ela desse jeito.
Ou seja, tem gente segmentando até sua personalidade em pequenos snacks para agradar snack buddies. É muito prático, tu nem precisa mais conhecer uma pessoa inteira? Pra que? Se tu pode usufruir apenas do que te apetece.
Indo um pouco além, isso cruza com a vida LowRes. Pense bem, relacionamentos assim tão superficiais são totalmente LowRes.
Não tem detalhe.
Não tem profundidade.
Não tem como dar zoom, porque é totalmente (usando o buzzword geek) WYSIG (what you see is what you get).
Não tem nenhum Wally escondido.
Tenho pensado no meu uso do MSN, e hoje resolvi desligar. Eu tenho snack buddies.
Pessoas que eu não convidaria normalmente pra sair, ou vir na minha casa, mas que falo com muito mais frequência do que meus amigos do tempo do colégio. Sei muito pouco sobre eles, mas sei que posso contar com a "snack amizade" para falar coisas sobre aquele determinado assunto, embalado num pacote single-serving.
Bah, que deprê.
O lado bom disso é que tu nunca se sente sozinho, ao menos de modo superficial.
Solidão low-res.
Vai saber.
Me nego a falar disso contigo on-line. (e agora tu sabe o porquê)
Vamos marcar um almoço.
Abraço,
Will
will@wonkavision.com.br
www.wonkavision.com.br
26 March 2007
Entrevistas, clips e coisetal
Videozitos pra começar a semana.
Entrevista que eu dei para o Blog do Empreendedor no Portal da Exame. Na pauta, redes sociais, long tail e dicas do rock independente para o empreendedor. Começa com um momento Zorra Total, mas depois fica mais interessante.
Clip novo do Battles, banda do ex-batera do Helmet + a Associação dos Nerds com a Guitarra Lá em Cima de Laptop a Tiracolo. Quebradinhas, repetições e barulhitos. Inspirador. Vi eles ao vivo no Sonàr em 2005. É tudo isso e mais um pouco.
No meio dos anos 80, o John Cleese protagonizou uma série de comerciais doentes para a Compaq. Pérolas. Olha aí e depois dá mais uma vasculhada no You Tube que tem mais.
22 March 2007
Walverdes Update
Eu já convidei vocês pra ouvir a música nova?
Tem lá no Myspace e chama Cérebro a 1.000.000.
Outro aviso: estamos com o pé que é um leque pra viajar. Lá também tem as datas de shows em Florianópolis, Blumenau, Porto Alegre, Novo Hamburgo e São Paulo. E vem mais coisa por aí.
21 March 2007
Conector Entrevista Mono

Camiseta: a mídia mais clássica e mais atualizável da história da cultura pop. Esses pedaços panos costurados de forma simples são os Ramones do vestuário: três acordes, pá-pum, duas mangas, uma estampa e era isso. Nos últimos tempos, a camiseta voltou a ocupar um espaço importante no imaginário pop graças à colisão da tecnologia (softwares gráficos, fotologs, câmeras digitais, etc) com a volta da estética punk rock de um jeito mais abrangente e aberto que na época do grunge.
Nessa batida, a Mono vem há 4 anos se estabelecendo como uma das principais marcas de camiseta no país e fluindo num jeito de trabalhar que as grandes marcas estão penando pra tentar entender. Idéias como long tail, mentalidade open source, co-creation e conteúdo gerado pelo consumidor são o dia-a-dia da Mono e não um monte de teorias espalhadas por um power point corporativo.
Por essas e por outras, Conector bateu um papo com o Patrick (que toca comigo nos Walverdes) e com a Maria, os Sócios-Diretores-Fundadores e também Empregados da Mono.
***
Todo mundo tem uma missão no mundo
Conector: Qual é a missão da Mono no mundo?
Patrick: Ela se resume em 6 mandamentos: 1) Sustentar eu e a Maria. 2) Trazer alegria pra mim e pra Maria. 3) Manter nós dois sempre em "movimento criativo" 4). Garantir de alguma maneira boa o nosso futuro. 5) Alegrar as pessoas que se interessam pela Mono. 6) Infernizar a atual e a futura concorrência.
Analógico vs. Digital
Conector: A Mono consegue misturar serviços digitais e analógicos, internet com depósito em banco e Correios. Como é que isso funciona tão bem? Como vocês conseguem fazer as pessoas irem até o banco depositar a grana numa época que ninguém quer sair da frente do computador?
Patrick: Eu gosto muito de quadrinhos e fico sabendo dos lançamentos pela internet. Daí, quando tem alguma coisa que me interessa, eu tenho que ir até a Livraria Tutatis. Caminho até a Assis Brasil, pego ônibus, dou mais uma pernadinha e chego lá todo suado só pra comprar umas duas revistas. Então caminho mais uma pernada pra pegar mais um ônibus e chegar em casa... acontece que essas revistas eu só acho lá na Tutatis, então vale o "sacrificio". Quem compra Mono sente a mesma coisa, com a vantagem que tu pode depositar em alguma lotérica depois de almoçar ou fazer transferência pela internet.
Maria Elvira: A idéia, com o tempo, é possibilitar o pagamento diretamente através do site, mas queremos fazer isso com cuidado.
Conector: Por que vender pela internet?
Maria Elvira: Com um site tu não precisa pagar aluguel, IPTU, luz, telefone, arrumar fachada de uma loja. Além disso, dá pra distribuir o produto pra todo o país sem o intermédio de um lojista. A grande maioria das confecções brasileiras é microempresa, o que deixa elas "espremidas" entre fornecedores gigantes que praticam os preços que bem entendem e lojistas que muitas vezes exigem consignação ou levam o preço do teu produto à estratosfera, sendo que não tiveram nenhuma gota de participação na criação dos produtos. Nós distribuímos o nosso produto através dos correios, que é uma instituição extremamente confiável.
Patrick: Além disso, nós adoramos a internet!
O Patrick está louco então
Conector: Uma vez a gente conversou e tu me contou que procura não tratar os clientes como idiotas. Como é isso?
Patrick: "Marca X, a melhor do mercado!! Use a marca X e fique feliz!! Chegou a marca X, compre agora a marca alternativa, fashion e roqueira X!! Muito design na marca X!! ", por exemplo. Muitos sites fazem isso, brincando de publicidade abobada. Claro que tem público pra tudo, algumas pessoas gostam, são nichos. Mas quando eu leio eu penso "acho que tão querendo me convencer...." Eu acho isso muito chato e não quero passar isso pros nossos clientes. Mesmo que isso signifique vender menos. Procuramos não "cagar regra" pros clientes (tipo COMPRE ESSA, TU VAI FICAR BEM COM ELA!!). Se o cliente pedir minha opinião, eu digo o que achei, sem mentir e sem tentar empurrar o produto goela abaixo e somos diretos ao ponto na hora de atender. Eu fiz um teste pra ser vendedor na Banana Records uma vez. Um monte de candidatos à vaga numa sala, com uma psicóloga e cada um tinha que simular a venda de um objeto qualquer. Me deram uma ESCOVA pra vender; quando chegou a minha vez, eu disse: "Essa escova custa 10 reais. Vocês precisam de mais alguma informação?" A psicóloga achou que eu tava brincando, me olhou com cara feia e tudo. Um outro cara tinha que vender uma BOTA, ele foi pro teste de terno e gravata, devia ter a minha idade... ele ficou falando uns 10 minutos sobre as vantagens daquela bota, cheio de piadas e fazia umas caras engraçadas, o cara era realmente muito criativo. Mas se EU estivesse pensando em comprar aquela bota, não ia querer ouvir aquela ladainha. A psicóloga adorou ele. Pensei: "tô louco então!!"
Wall Street – Poder e Cobiça
Conector: Como é começar a se enxergar como empresário e empreendedor? Sei que essas palavras são esquisitas, mas de onde eu olho é o que eu vejo acontecer com vocês, uma profissionalização que faz a coisa andar.
Patrick: As coisas foram acontecendo sem planos mirabolantes, tudo naturalmente. Aconteceram da necessidade. Nós estávamos desempregados, sem grana total...mas eu sempre gostei de desenhar, eu vendia desenhos do Axl Rose e do Eddie do Iron Maiden no colégio! E a Maria sempre se interessou por moda...eu me enxergo, no contexto "Mono", da mesma maneira que eu me enxergo no contexto "Walverdes": tô ali fazendo uma coisa que eu gosto, e se os outros gostarem, beleza!!
Maria Elvira: A gente trabalha em casa, mas não por isso deixa de ter disciplina. Dá prazer, mas não deixa de ser trabalho.
A onda das camisetas & do rock
Conector: Vocês não acham que uma hora a onda de camisetas e de rock vai passar? Se isso acontecer, o que vocês vão fazer? Ou vocês acham que sempre vai ter um nicho interessado no que vocês querem fazer?
Patrick: Cara, pessoalmente eu gostaria que essa onda rock de uma maneira geral acabasse o quanto antes! Tu vai na C&A e na vitrine tem 15 camisetas e baby looks com caveiras fofas e guitarras desbotadas estampadas escrito "Rock" em cima. Profissionalmente, isso não influi em nada na Mono, é outra praia. Quando nós começamos não existia nenhum site na nossa linha. Hoje tu chuta uma árvore caem 5 sites que copiam até nossos textos... Não me preocupa o "quando a onda acabar", porque o nosso público não é o da "onda", não estamos inseridos nisso. A Mono sempre teve e sempre terá um perfil "underground" e sempre vai ter pessoas interessadas nisso. São as mesmas pessoas que freqüentam shows de rock independente. E esse público sempre se renova. Nós fazemos parte desse público, desse cenário.
Maria Elvira: O negócio é se reinventar e isso nós já estipulamos há anos. Quando o primeiro site nos copiou resolvemos mudar de direção. Hoje algumas peças têm mais cara de "rock" mas a maioria foge do esteriótipo, tanto que muitos clientes compram somente pelo design.
Conector: Parece que rolou um boom da mídia camiseta nos últimos 5 ou 6 anos. Por que tu acha que isso aconteceu?
Patrick: Isso acontece por causa das facilidades do computador - um monte de gente tem, um monte de gente gosta de design e esse monte de gente cria estampas, mandam numa serigrafia e botam na internet. O fato é que hoje muita gente mexe com programas tipo corel, photoshop e criam estampas. Mas não é muita gente que cria estampas legais...
Maria Elvira: A camiseta é um ítem fácil de ser comercializado à distância pelo fato de ter um corte reto. É só disponibilizar as medidas e qualquer pessoa consegue descobrir o tamanho certo para ela e por isso está sendo a "base" do comércio virtual de confecção no Brasil, o qual certamente irá se expandir cada vez mais e oferecer produtos mais elaborados.
Conector: E por que as pessoas escolhem a Mono entre todas essas opções?
Maria Elvira: O site da Mono foi o primeiro brasileiro de camisetas no segmento rock alternativo sem ser necessariamente a tradicional camiseta preta com caveiras. Isso faz mais de quatro anos e de lá para cá inúmeras marcas de camisetas surgiram. Acredito que o fato de termos mais experiência que os concorrentes conta muito para as pessoas escolherem a Mono.
CGC: Camisetas Geradas pelo Consumidor
Conector: Como vocês fazem pra manter a integridade da marca e dos produtos Mono?
Patrick: Tudo é feito do jeito que a gente gosta, sem seguir "regras de mercado" ou "regras de design". Evitamos massificar demais a marca. Tu não encontra "pontos de venda" da Mono pelo Brasil, só encontra no site. Podemos lançar uma estampa nova com uma tiragem de 30 camisetas, vender tudo pelo site em dois dias e re-editar aquela estampa dois ou três meses depois. Isso faz parte da proposta da Mono, da não-massificação do produto. Não queremos milhares de pessoas usando, queremos que quem usa sinta orgulho de usar.
Conector: Qual é a melhor forma de divulgação que vocês já usaram até hoje?
Patrick: Internet. É uma bola de neve, a pessoa compra, gosta e avisa os amigos, que nos procuram, e que avisam outros amigos... e essa "corrente" é feita na internet mesmo. Orkut, fotolog, blog, myspace. A marca se divulga sozinha. O Orkut ajuda muito, também. Nossa comunidade é uma grande fonte de idéias, sugeridas pelos clientes.
Conector: O que vocês têm em comum com os clientes de vocês?
Patrick: Gosto parecido pra música, cinema e, principalmente, design.
Maria Elvira: Talvez mais do que imaginamos, porque os que tivemos oportunidade de conhecer bem acabaram virando amigos.
Influenza
Conector: Fora as influências óbvias de música, moda e design, o que mais inspira vocês?
Patrick: Tudo. Nós estamos sempre de radar ligado, catando coisas que nos interessam. Uma capa de revista, um outdoor, um rótulo, um grafitti, um chão sujo, poeira em cima de móveis, fumaça de cigarro na noite... a cidade, a rua e a sujeira são influências fortes. Tudo é aproveitável, tem inspiração em tudo, tudo toma forma. Até o clima pesado ou leve das situações do dia-a-dia refletem na hora de criar.
Maria Elvira: Mais ou menos como o Patrick... o que eu crio é simplesmente uma grande colagem de tudo o que eu absorvo. Assistindo filmes, visitando brechós, admirando os ladrilhos no centro da cidade, tirando fotografias em viagens, observando o desenho, a ranhura e as folhas das árvores, olhando de novo um quadro já conhecido, vitrines, recapitulando sonhos, cheirando frutas na feira, entre milhares de outras coisas.
Conector: Que influência que tocar nos Walverdes tem no trabalho da Mono?
Patrick: Com os Walverdes eu levei a Mono pra vários festivais de rock independente pelo Brasil, que é onde o público da Mono está. É legal encontrar pessoas pra quem eu já vendi camisetas por email e conversar com elas pessoalmente. Todo o ambiente/universo em torno do Walverdes provoca influências pra Mono na hora de criar, assim como pro próprio Walverdes na hora de compor
Seguir em frente, simplesmente
Conector: Se tu começasse de novo a Mono hoje,o que faria diferente?
Maria Elvira: Hoje eu saberia lidar melhor com os fornecedores, escolher um produto de melhor qualidade, não ser enganada por costureiras duvidosas.
Patrick: Todos os erros que cometemos serviram pra nos ensinar. Tudo na Mono sempre foi muito experimental, todo os dias aprendemos algo novo.
Conector: Qual é o objetivo da Mono pros próximos anos? Tem planos de crescimento?
Patrick: Nunca tivemos muitos planos. Na verdade, as coisas foram acontecendo, fomos aprendendo na tentativa-e-erro. Nunca tivemos nenhum modelo pronto, "ah vamos fazer assim ou assado". É tudo teste, nosso trabalho é experimental sempre. Pretendemos continuar seguindo em frente, simplesmente.
20 March 2007
Anemia q inspira

Trabalho do artista dinamarquês Peter Callessen. O cara tem um monte de obras em maior escala, mas vale mesmo se concentrar no que ele apronta com folhas de papel A4. Ele faz chover com uma resma dessas que a gente simplesmente enfia na impressora laser sem nem pensar. É lindo ver alguém tirar tanta poesia visual de um artigo tão comoditizado, tão infiltrado no nosso cotidiano, algo que valorizamos tão pouco, essa coisa tão anêmica e sem graça mas também tão aberta às possibilidades.
Fica a questão do Patrick: será que ele ainda tem todos os dedos?
Regurgitando Posts
Para quem quiser ir um pouco mais a fundo no assunto que fechou o post sobre o The Century of Self, recomendo a leitura desse artigo na Wired. Eu não tenho bem certeza ainda do que eu penso a respeito de tudo isso (o dia que eu tiver certeza, me aposento), mas a questão gira em torno de como a classificação de consumidores em diferentes espectros nos databases de marketing ajuda a criar novas realidades políticas e espaciais.
Vai lá e dá uma lida que eu simplifiquei ao extremo...
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Falando em Wired, tão de cara nova no site. O Drew Schutte deu uma palhinha a respeito disso no Proxxima. Ficou, de fato, bem melhor a navegação. Embora também tenha aumentado a aflição: há muito mais portas de entrada, fator fundamental pra deixar o vivente algariado mas também para intensificar o número de page views. Mais portas de entrada, mais page views, foi o que alegou o gringo. A mim dá vertigem.
19 March 2007
Alguns toks

Um exemplo curioso de Snack Culture: papel higiênico em embalagens individuais pra você levar na bolsa...
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A Mauren Motta tá com um blog superlegal sobre esse lance de beleza real. Se chama De Dentro Pra Fora.
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Olha q massa a ação que o pessoal aqui da Escala fez pra um seminário sobre escravidão na Unisinos. Criação do Ângelo, Léo Lage e João.
Pessoal faz coisa boa, eu que só faço porcaria!
Senhora do Destino

Eu me segurei o quanto pude, mas desde que a crise no casamento da Suzana Vieira (64) começou, eu queria escrever sobre isso aqui. Mas ao mesmo tempo, sabe como é, não queria transformar o Conector (2) na Caras (13).
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Bom, acabei de transformar.
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Pra quem não acompanhou o caso (eu acompanhei, li todas as reportagens), é o seguinte. Suzana conheceu o Marcelo Silva (36) quando participava do desfile da Grande Rio no Carnaval de 2006. Ele, policial militar, trabalhava como segurança da escola e rolou uma química forte. Tão forte que em setembro os dois CASARAM e em novembro se mandaram pra República Dominicana (203) pra uma lua-de-mel a três (os 2 + a Caras). Só que o coeso Marcelão passou bem mal e teve que ser operado lá mesmo de uma apendicite, tudo custeado por Suzana. Em dezembro, o casal voltou à República Dominicana pra tirar a febre, mas isso não impediu Marcelão de aproveitar uma viajada da esposa nas semanas seguinte para se trancar num motel com uma garota de programa.
Bom, aí é que começa a melhor parte da história: a garota de programa (cobrando 50 paus por entrevista) alega que Marcelão tava se sentindo muito sozinho e chamou ela pra CONVERSAR no motel. Eu não sei que espécie de assunto polêmico estavam discutindo mas o fato é que se desentenderam na charla e Marcelão começou um quebra-quebra do barulho. Uma tremenda confusão. A polícia foi chamada e em vez do PM-Galã ser preso, ele foi INTERNADO numa clínica particular para desintoxicação.
Caos. Insanidade. Divórcio. Dor. Incompreensão.
O caso foi abafado e durante meses pouquíssima coisa saiu na mídia. Eu tentei, estava bem antenado, não saiu quase NADA.
Algumas conclusões até ali:
1 - Marcelo Silva é um dos maiores gênios masculinos que este país já teve. Se ele começar a dar palestras oferecendo sua sabedoria para homens adúlteros, vai ficar rico. Sugiro também que ele oriente a equipe econômica brasileira porque se alguém sai tão bem de uma enrascada daquelas, precisa ensinar os outros seu método. Além disso, ele não foi expulso da PM nem pelo escândalo que protagonizou nem pelo fato conhecido de que exercia uma profissão alternativa de segurança, algo considerado ilegal.
2 - A quantidade de explicações ilógicas e desenrolares implausíveis só tem concorrente no LOST. Cheguei a pensar se tudo isso não era um novo laboratório para a Rede Globo, uma espécie de avanço da teledramaturgia com a decadência do Big Brother. Um tipo de "truthteinment", uma "verdade-entretenimento". Quando eu era criança, acreditava que os atores de cinema morriam de verdade nos filmes e ganhavam uma grana um ano antes do filme pra aproveitar bem a vida. Algo assim poderia estar em curso. Mas acho que não, acho que a Globo não tem nada a ver com isso. Acho que a Suzana foi contratada pela ABC e que JJ Abrams e Damon Lindelof, os criadores de Lost, estão armando isso tudo no melhor estilo Lost Experience. Eu posso ser parte disso também, se ligue.
***
Minhas suspeitas de que algo muito estranho estava acontecendo se confirmaram quando Suzana Vieira apareceu toda serelepe e fagueira no Fantástico, na sua puta casa no Rio, com uma vista fantástica, dando a receita da felicidade para a Glória Maria.
A receita da felicidade segundo Suzana Vieira
1 - Seja alegre
2 - Tenha uma puta casa no Rio com vista pro mato
3 - Faça plásticas. Não veja Nip/Tuck.
4 - Fora a casa, construa o maior ego que você puder, de maneira que você perca total o contato com a realidade e dê aval para comportamentos burlescos e torpes porque, enfim, você PODE.
5 - Borre os limites entre ficção e realidade. Misture a sua personalidade com a personalidade dos personagens que você encena na vida, digo, na novela.
6 - Vá numa rede nacional de televisão e informe subliminarmente à toda uma audiência conservadora e machista que é direito do homem trair a mulher e que PODER FEMININO significa passar por cima dessas pequenas dificuldade de relacionamento como um quebra-quebra num motel envolvendo uma prostituta.
Era isso. Se eu souber de mais alguma coisa, eu aviso vocês. Não precisam ler a Caras.
16 March 2007
Delícias de Fim de Semana

Olha que incrível o trabalho dessa mina. Ainda estou explorando. A dica foi da Mari.
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Walverdes e Mono na L'Officiel. Dá uma olhada lá.
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Bom fim de semana.
Snack Culture & LoRez Culture
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Pois então, sobre essa coisa de Snack Culture. Não tenho muito o que adicionar, creio. É aquilo ali mesmo: estamos vivendo uma época com tanta coisa acontecendo que precisamos de pequenos thumbnails de absolutamente tudo pra podermos experimentar tudo que for possível. Anteontem estava no Marcos e conversamos sobre o blog dos Walverdes, ele está em coma e vem morrendo há horas porque não alimentamos mais ele. O fotolog assumiu o papel de conectar as pessoas interessadas na banda e hoje ele funciona melhor nesse sentido porque é um recorte mais rápido para a conexão: a pessoa vai ali, vê a foto, comenta, ponto final. Não tem intermináveis posts com links levando a outros caminhos. Muito trabalho.
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A mania atual de colecionar beijos em festas. Beijar 27 pessoas, não ficar com nenhuma. A radicalização do processo de "ficar", criado na geração anterior. O thumbnail da sensação física. Snack culture.
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De minha parte, acho um pouco palha essa questão de Snack Culture. Digo, como thumbnail pra dar uma olhada, tudo bem. Mas como "estilo de vida" corre o perigo de não se assumir qualquer compromisso. Passa-se de uma coisa pra outra sem um envolvimento maior. E, pior: ainda dá pra tentar disfarçar com uma idéia superficial de "desapego" que no fundo signfica "medo".
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Eu tenho tentado evitar transformar esse blog num blog de snacks, simplesmente jogar links e jpgs e videozinhos embedados. Te muito disso por aí. Muito Fandangos.
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Por outro lado, esse post tá todo em pequenos snackzinhos. Tu vê.
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Mas sobre Snack Culture você lê na Wired. Aqui eu pensei em começar a desenvolver a idéia da LoRez Culture, a idéia de que estamos cada vez mais aceitando a baixa resolução como parte integrante da vida.
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Essa ficha me caiu quando eu estava no stand da Petrobrás no Proxxima. Na parede havia uma IMENSA imagem do prédio da Petrobrás no Second Life. Um detalhe: os pixels eram do tamanho de uma mão. Era uma imagem de baixa resolução, em certos aspectos algo de baixa qualidade. Mas não é que seja de baixa qualidade, é o código visual do meio, o Secnd Life é todo low-resolution. E mesmo que as pessoas já estajam acostumadas com outro patamar de resolução em animação computadorizada e em games, no Second Life ainda se aceita porque é o standard da plataforma.
***
Da mesma forma, acho incrível que eu filmo coisas no meu celular e mostro pra todo mundo. São uns filmezinhos podres, pixelados, total lo-fi. Mas todo mundo, inclusive eu, acha o máximo. Tem pessoinhas pequenas dentro do celular! Sensacional. Realmente não me importo com a baixa resolução.
***![]()
E tem cada vez mais gente assistindo curtas-metragens, clips, seriados no computador. Olha o que é esse hábito que temos de ficar assistindo coisas naquela janelinha podre do You Tube! A imagem não é nem de perto o que temos na TV.
Mas o conteúdo é tão mais interessante do que na TV que, honestamente, azar é da resolução. De que adianta comprar TV de Plasma ou LCD e assistir o DVD da Celine Dion?
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A mobilidade compensa a baixa resolução: tudo bem que o som do laptop não se compara ao da TV e as fotos no celular não se comparam às fotos em papel ou de uma câmera boa. Mas esses dois aparelhos vão pra onde eu quero.
É, estou ficando mimado.
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Funk carioca. Aquele monte de músicas compostas com samples toscos: pura lo-res culture. Por outro lado, eles não abrem mão de algo essencial no som: os graves e subgraves. Aí entra uma necessidade de definição.
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Mp3: pura baixa resolução. Som comprimido, graves comprometidos. Ainda mais ouvidos nas caixinhas de som do computador, que rezam pela cartilha dos médios e agudos.
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A grande ameaça: que comecemos a nos acostumar a snack culture e lorez culture nas relações humanas.
Há de se ficar atento.
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Outra questão: baixa resolução é coisa de terceiro mundo? Tenho a impressão que os gringos são mais obcecados com hi-def.
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PROPOSTA:
Tenho trabalho a fazer, mas gostaria de mapear mais esse lance da cultura de baixa resolução. Alguém me ajuda? Mandem suas sugestões pelos comentários ou pelo email lá em cima.
15 March 2007
Coma
O blog dos Walverdes está em coma.
Não somos mais "roqueiros blogueiros".
Para informações de shows e tudo mais, frequente o Fotolog ou o MySpace.
Em abril tem vários showlzidos, voltaremos com tudo à ativa.
Tu já ouviu a demo de uma música nova que tem lá no MySpace?
14 March 2007
Bob Esponja
Eu sou uma esponja de informação. Não propriamente de forma voluntária: não curto ficar indo atrás de informação o tempo todo, mas quando tu trabalha envolvido com mídia e essas coisas, é praticamente inevitável ficar ligado. A quantidade de informação circulante é absurda.
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Eu realmente não preciso ir atrás de informação. Ela simplesmente transborda ao meu redor. Não consigo frequentar esses blogs de links e a minha conta no del.icio.us serve mais pra eu não esquecer alguns bookmarks do que propriamente para navegar. Se eu simplesmente ficar parado olhando pra tela do computador, coisas relevantes pro trabalho simplesmente chegam.
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Há poucos sites que eu freqüento diariamente. Cerca de seis, pra dar uma olhada. Um é um horóscopo que eu acho inspirador. Os outros cinco são blogs de pessoas que me fornecem bons insights e portas para outros universos, nenhum deles propriamente ligados à publicidade pois sempre temo a retroalimentação.
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Isso tudo tem um pouco a ver com a matéria de capa da Wired desse mês. Snack Culture. A bola da vez, uma expressão cunhada pra ser colada logo depois de frases como "Esqueça Long Tail, a onda agora é...".
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Vale uma boa olhada na reportagem. Como disse um amigo meu, nada de novo, mas um apanhado superesperto dessa cultura de "pequenos pedaços de coisas" que a gente consome hoje: pedaços de videos no You Tube, 80 caracteres no SMS, embalagens individuais de biscoitos, etc. e tal. O link "An Epic History of Snack Culture" é massa!
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Olha lá, pensa e tira algumas conclusões. Estou digerindo e logo escrevo sobre o assunto.
13 March 2007
É tudo culpa do Bernays
Faz dias que estou querendo escrever sobre esse documentário. Na real eu venho digitando sobre ele há dias, compilando as anotações que fiz enquanto assistia, trabalhando e retrabalhando o texto. Mas cada vez que repasso, minha cabeça dá mais uma imensa volta e tudo se revira.
Vamos tentar do início: tou falando de The Century of Self, documentário ma-ga-vi-lho-so da BBC escrito, produzido e locutado pelo Adam Curtis, ao que tudo indica um exímio documentarista punk pop. Por que punk pop? Pop porque qualquer um com dois neurônios consegue entender a linha de raciocínio dele mesmo sem dominar todos os complexos assuntos que ele trata. Punk porque a colagem de imagens me lembra muito a estética de zines e também as músicas do Sonic Youth. Como é que alguém consegue parecer experimental e pop ao mesmo tempo? Talvez o fato dele ter freqüentado a mesma escola do pessoal do Gang of Four explique a sutil ressonância que a estética do documentário emana em relação ao zetgeist pop atual.
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Você entendeu a última frase? Nem eu.
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Explicação: Gang of Four > Franz Ferdinand > zetgeist pop atual
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Eu sei que tu já rolou a barra pra baixo e o post tá grande. Eu sei que tu é déficit de atenção é um problema endêmico atualmente.
Mas tende paciência: isso tem a ver com o assunto no fim das contas.
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Voltando ao documentário: tem pra ver na web, mas eu sugiro que vocês tentem baixar pq deve ser chato ficar vendo em streaming no You Tube ou no Google Video.
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Mas o babado é o seguinte: nos anos 20 o Edward Bernays, sobrinho americano do Freud, fez um mashup espertíssimo de teoria psicanalítica com interesses industriais e montou o esquema básico de funcionamento da sociedade de consumo. Para ser mais claro, a grande deixa de Bernays para a indústria foi abrir a possibilidade tratar os consumidores como pessoas com pensamentos inconscientes, não expressos claramente. Isso significou começar a oferecer produtos que satisfizessem não apenas suas necessidades, mas também seus desejos. Por exemplo: eu necessito calçados. Mas eu desejo tênis Adidas vintage ou similares. Essa pequena diferença semântica revolucionou toda a cadeia produtiva e forneceu meios para o crescimento econômico e para o controle de massas por parte do governo americano.
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Sim, controle de massas. A influência das teorias do Freud na política e economia americana não se resumiram ao sobrinho Bernays. A filhota, Anna Freud, também teve um papel fundamental em difundir a necessidade de reprimir os impulsos primais de forma coletiva pra impedir grandes levantes irracionais que poderiam levar a desvios como o nazismo. Anna (e muita gente poderosa) acreditava que isso era o caminho para uma sociedade feliz, democrática e estável.
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Grande parte da população devia concordar com isso, não vamos botar tudo nas costas dos poderosos.
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Corta para o Institute of Motivational Research, no qual o psicólogo Ernest Dichter também curtiu mixar a teoria psicanalítica com os problemas das corporações. Foi dele a idéia de, pela primeira vez na história, reunir consumidores numa sala e colocá-los para bater papo enquanto se analisava as motivações subjacentes à conversa. Aqui a idéia não seria propriamente controlas as massas, mas sim oferecer produtos mais afinados com os desejos que elas não estavam expressando claramente.
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Um case bem elucidativo é o da mistura de bolos Betty Creek, que enfrentava rejeição da dona de casa dos anos 50. Graças aos focus groups dirigidos por Dichter, foi possível descobrir que o problema da mistura era ser muito fácil de fazer! Sendo muito fácil, a dona de casa se sentia uma inútil numa época em que o trabalho doméstico era altamente valorizado na sociedade. A solução? Tirar o ovo da receita pré-pronta e estampar bem grande na embalagem: ADICIONE UM OVO.
As vendas dispararam.
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O problema é que no fim dos anos 50 pensadores como Willhelm Reich, Herbert Marcuse e Arthur Miller (de cara porque a Marylin fez psicanálise e acabou se suicidando) começaram a criticar as idéias psicanalíticas e a sublinhar sua ligação com o controle de massas por intermédio da política e da publicidade. Esse pensamento não era um fato isolado, mas parte de uma inquietação cultural que buscava combater o conformismo dos anos 50 com a simples auto-expressão, a afirmação do indivíduo. Algo comum e ridículo em tempos de blogs e flogs, mas um grande statement político na época.
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O que o pessoal da contracultura não esperava é que, em vez de se tornar o ponto de partida para uma sociedade mais livre, essa revolta acabou criando a maior oportunidade de negócios de toda a história. Pois se as pessoas estava meio perdidas tentando se encontrar, buscando suas identidades, a indústria de bens de consumo estava aí para atender essa demanda también!
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A questão era a seguinte: como criar produtos para pessoas tão diferentes entre si? Mais uma vez o problema foi resolvido pela associação de psicologia, pesquisa e marketing. Ao longo dos anos 70, surgiram novos métodos de pesquisa para compreender o gosto do público não mais do ponto de vista demográfico (classe social, posição geográfica, sexo), mas sim pelo viés dos seus pensamentos e sentimentos mais, digamos, profundos. A possibilidade de se identificar e classificar esses dados em “lifestyles” foi o grande motor do consumo nos anos 80 e a base do individualismo yuppie.
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Não é pra menos que os hippies foram tão desmoralizados, porque o mercado soube compreender o que eles pediram ao establishment ao longo de duas décadas e entregou tudo direitinho, embaladinho, classificado em prateleiras (e tinha até lojas alternativas para os que não queriam ser encontrados nos grandes mercados). É como diz o ditado: cuidado com o que você pede, porque pode acontecer.
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Nos anos 90, enquanto essas idéias todas semeadas lá nos anos 20 pelo Bernays estavam bem estabelecidas no mercado de consumo e se desenvolvendo com uma complexidade que até hoje me comove, chegou a hora da política entrar de cabeça na metodologia marqueteira. O último episódio de The Century of Self conta das mudanças históricas que o Partido Democrata americano e o Partido dos Trabalhadores inglês tiveram que fazer em suas plataformas por conta de descobertas feitas em focus groups. O gancho é utilizado para lembrar o problema que é ouvir os “desejos inconscientes” do público sem fazer algum tipo de filtro, especialmente na área de política. O mesmo grupo de eleitores que reclama que o governo gasta demais com ferrovias, alguns anos depois reclama que o governo gastou de menos com ferrovias.
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Tá mas e daí?
Pois é, meu filho. Daí nada. Porque enquanto milhões ao redor do mundo enchem a cara de cerveja em boteco repetindo antigos slogans dos anos sessenta na esperança de mudar alguma coisa, estamos todos dentro de uma trilha muito bem pavimentada desde os anos 20. As idéias do Bernays são os alicerces da economia e da sociedade mundial hoje. Mas isso não é uma questão de acreditar ou não, de concordar ou não: é parte integrante do sistema de funcionamento do planeta no momento. Ponto final. Deal with it.
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A associação de consumo com expressão pessoal virou standard não só na economia mas também em toda a área da cultura: somos o que consumimos, não só o que compramos.
Consumo não quer necessariamente dizer compra. Nem sempre é preciso comprar para consumir, ainda mais nesses tempos de download grátis.
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O mínimo que eu posso pensar disso tudo é que tem que se ter um cuidado incrível com o resultado de pesquisas e que não é um bom negócio pra ninguém simplesmente sair atendendo o desejo dos consumidores. O resultado é sempre irregular.
Nos países em que existe uma massa de consumo bem formada, temos um bando de gente mimada e mal acostumada.
Nos países onde o consumo é desigual, não preciso nem falar.
Pelo lado da indústria isso é ruim porque gera uma ansiedade do cão: nunca se sabe o que mais precisa fazer pra satisfazer essa gente.
Pelo lado da publicidade, idem: temos sempre que ficar inventando uma maneira nova de vender Danoninho, agora no sabor Goiaba.
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O que eu vou fazer na prática, no meu trabalho, com isso tudo? Não queira saber...
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A saída? Se eu soubesse a saída, eu não estava escrevendo em blog. Tava dirigindo táxi.
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Mas arrisco um palpite (não me seguro).
Consciência do momento presente, compaixão aberta a todos (todos mesmo, hard work), clareza quanto à impermanência de tudo e noção de que toda ação tem um efeito, que tudo que acontece vem de causas e não de alguma randomicidade maconheira.
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Vai lá e vê o documentário, tá?
Smart * Pop

Dica do William da Wonkavision: Lilly Allen ao vivo nos estúdios da KCRW. Muito queridinho e massa, pop bem feito, de boa linhagem e bem cuidado. Quem dera as paradas fossem recheadas com esse tipo de coisa.
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Acho que existe aí uma linhagem pop bem interessante que pode ser conectada: a Lilly Allen, Gnarls Barkley, Gorillaz, o Black Eyed Peas... agora de cabeça é o q me lembro de conectar... são grandes influências pro meu trabalho em publicidade. Estou sempre atento a gente como o Damon Albarn e o Dangermouse.... oferecem bons insights.
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Falando nisso, só ontem vi o clip de My Humps do Black Eyed Peas (q aprendi a curtir com minha garota). Outro bom exemplar de pop massa, apesar desse monte de Louis Vutton desnecessário... q maniazinha do hip hop...
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Tou dando essa enrolada porque me enrolei no texto sobre o The Century of Self. Mas essa semana ele sai. É que a primeira coisa que eu escrevi tinha tipo quatro páginas de word e um monte de viagens que talvez eu tenha que cortar. Nada é melhor para um texto do que simplesmente cortar, cortar, cortar. I'm a lumberjack and I'm ok.
12 March 2007
Funcionário do Mês - Janeiro e Fevereiro

Vivemos uma era de trabalho intenso no Conector. A Diretoria de Projetos Especiais nunca esteve tão atarefada. Aqui, na corporação considerada "A Melhor Empresa para Trabalhar" segundo a revista Exame, a labuta não é motivo de lorota e nem de chacota, mas de muita cambalhota.
Por isso o Palhaço Pitoca, nosso Diretor de Projetos Especiais, foi escolhido o Funcionário do Mês do Verão. Eu sei, a votação saiu atrasada. Mas é que os cartões furadinhos foram inseridos no computador com um mês de atraso e o processador do mainframe Conector foi montado a partir de cinco computadores 386 comprados de um leilão da Recceita Federal - originalmente eles faziam parte do acervo de uma antiga firma de editoração eletrônica.
Mas, enfim, por que o Palhaço Pitoca foi escolhido Funcionário do Mês? Em breve vocês saberão. Palhaço Pitoca, o RH te odeia! Mas o board de diretores te ama!
Criatividade

Eu adoro essas coincidências. Estava lendo um post no Tzal a respeito desses papos do inglês estar dominando em detrimento do português. Nos comentários, concordei que o inglês é de fato melhor para algumas coisas, uma língua mais dinâmica e tal. Mas que o português é bom para, em publicidade, slogans inusitados. Português é bom pra gerar confusão, o que diz bastante sobre a nossa cultura. Aí me vem essa foto aí de cima, de uma mina que usa fita isolante pra forjar uma falsa marca de biquíni e abafar logo mais à noite no baile funk. Achei genial.
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Mas a grande questão no artigo do Pinheiro é o fato de termos misturado nossa mente com os "wasp mindsets". Eu finalmente vi inteiro o documentário The Century of Self esse fim de semana e é maravilhoso. Fala sobre isso, explica muito sobre o jeito como vivemos hoje e o quanto a junção de Freud + necessidade de erguer a sociedade americana em cima do business forjou o jeito como nos relacionamos com produtos e com pessoas. É sensacional. Estou trabalhando num post sobre isso. Mais tarde rola.
09 March 2007
Bom finde
Por motivos médicos, meu fim de semana começa mais cedo. Mais deixo vocês com algumas coisinhas pra olhar & fuçar. Acima, Jeff Tweedy e o batera Glenn Kotche tocando um som do Sky Blue Sky, novo disco do Wilco que é top um na minha parada da semana.
E mais:
- Um artista tcheco vem sacaneando painéis de rua do Windows Vista. Ótima idéia. Eu dei uma testada no Windows Vista no stand da Microsoft no Proxxima e não achei lá grands coisa. Tem boas ferramentas práticas no desktop, mas tudo tão complicadinho....
- Na Pingmag, uma entrevista com um profissional de VERBAL IDENTITY. É, eu também não sabia que isso existia. É um cara especializado em nomes de empresas. O cara é formado em filosofia, veja você.
- Saca só essa ação para combater desperdício de água.
Era isso. Até segunda.
08 March 2007
Microfoniazinha

A impressão que fica ao sair desse monte de palestras é que não há tempo para lidar com todas essas coisas. Sim, essas coisas. E de fato não há, pela velocidade de mudança e a quantidade absurda de informação circulante.
Digo isso só para contextualizar o excelente comentário do Marcelo Tas no último dia.
"Gente, eu só queria lembrar a vocês que, apesar de estarem querendo provar o contrário, o dia só tem 24 horas. Então é bom de vez em quando dar uma respirada."
Uma pequena (porém importante) dissonância em um ambiente que prima por vozes em uníssono.
07 March 2007
Algumas do Proxxima
Anotações do evento que rolou terça e quarta em SP.
Poucos insights novos
Antes de mais nada, minha primeira impressão do evento foi de pouca inovação. Pôde-se ver muitos cases e dados interessantes, iniciativas muito bem sucedidas no ambiente online e cross nos dias de hoje, mas quase nenhuma solução que já não tenha sido pensada ou usada. Assuntos como conteúdo gerado pelo consumidor, erosão da atenção, Second Life e a necessidade de integração em diferentes plataformas foram continuamente citados sem muitos insights novos. Foi um evento mainstream, falando em web 2.0 enquanto em termos de tecnologia já se está pensando em web 3.0. Quase todos, senão todos, exemplos trazidos por palestrantes já haviam circulado e sido debatidos no meio ao longo de 2006 ou dos primeiros meses de 2007.
Pouca humanidade
Também havia no ar, a meu ver, uma falta de conteúdos e posturas inspiradoras e humanas. Fala-se muito no “consumidor” e nada nas pessoas. Muitos números, pouca sensibilidade (que é parte fundamental nos esforços que elevam os números). As marcas e empresas reconhecem e querem valorizar o poder que o consumidor têm, falam muito de colaboração e redes sociais, mas ao menos no seminário se mostraram pouco sociais e humanas. Não estou falando de assistencialismo ou de iniciativas no terceiro setor, mas o desfile de gráficos e números faz pensar se o mercado não patina às vezes por falta de contato humano, de conhecer as pessoas. Todas as dúvidas e perguntas do marketing a respeito do que fazer nesse momento de mudança podem ser facilmente respondidas com um olhar mais humano sobre os assuntos. É sobre isso que é a tal web 2.0: mais colaboração, menos avidez.
Não precisa brigar
A boa notícia que eu trago do Proxxima é que me parece estar acabando aquele discurso fatalista de “as novas mídias vão acabar com as antigas mídias”. Muitos foram os que sublinharam claramente que a TV e a mídia impressa não vão terminar. Michel Lent, no último e o mais legal painel do segundo dia, deu a barbada: o Brasil tem a realidade a internet banda larga e a realidade da TV aberta. A gente precisa estar presente nessas duas realidades. Ao que a Paula Rizzo, diretora de inovação da DM9DDB completou: a gente quer o melhor de cada mídia. Ou seja, sim, está tudo mudando. Mas não é uma questão de abandonar isso ou aquilo e sim de integrar. Tudo tem seu valor dentro de um planejamento de marca maior. Quem define o que é importante ou não é o target.
O poder do conceito
Também ficou claro pra mim que ninguém precisa se apavorar se tem um conceito forte e bem construídos nas mãos. Una-se uma marca forte e de personalidade + canais inovadores + fornecedores que ajudem a fazer bem a tradução pro canal e não tem drama. A palestra do Drew Shutte da Wired valeu muito por isso: a Wired pode não ser mais uma revista tão cool, mas é um exemplo de consistência e fluidez de marca nos diferentes meios em que se manifesta (revista, site, celular, eventos, criação de conteúdo, loja).
Abrir mão do controle
Outro discurso que foi repetido como um mantra é: relaxe. Não há mais como controlar tudo que vão falar e fazer com sua marca hoje em dia, então é preciso ter uma atitude mais aberta, mais open source. O já clássico case de comerciais feitos por consumidores detonando o Chevy Tahoe foi citado pela presença de espírito da montadora em deixar os comerciais online, não entrando em choque com quem havia criado os filmes sacanas.
Updaters
O painel mais dinâmico ficou por conta do pessoal do Updaters. Abrindo mão da montanha de gráficos e números de outras apresentações mais corporativas, teve joguinho interativo com a platéia abrindo um debate descontraído e orgânico que trouxe mais raciocínios interessantes & entusiamados do que muito palestrante de porte. A mediação do Marcelo Tas colaborou pra fazer tudo brilhar um pouco mais, acordando quem estava com sono por causa das outras palestras da tarde. Destaque pra excelente tradução de “long tail”: o rabão.
Sky Blue Sky
O novo disco do incrível Wilco já está disponível por aí. Foi a trilha sonora do evento pra mim. Passei vários intervalos ouvindo o som de uma das minhas bandas preferidas, que enfiou o pé total no clima "john lennon solo" + soul music. Vocês vão ler mais sobre esse disco aqui assim que eu digeri-lo mais.
Algumas frases
“Technology is the rock`n`roll of our time.”
Drew Shutte, Wired
“Don’t panic”
O primeiro conselho que T.S. Kelly da Media Global Contacts dá a seus clientes.
“É, acho que logo a gente vai estar botando filminho no site da Gol.”
Tarcisio Gargioni, o tiozinho da Gol que deu banho em muito garoto
“If you talk to people the way advertising does, they will punch you on the face.”
Citação não sei de quem usada pelo Nigel Morris da Isobar
Invencionice curiosa
O termo “nanoaudiências” pra descrever os públicos de nicho.
E mais
Eu tenho páginas e mais páginas de cadernos com anotações. Mas provavelmente vou despejar aqui aos poucos sob a forma de artigos, misturados com outras coisas.
06 March 2007
A cauda longa
Sabe o tal lance da cauda longa? Há horas que estou pra escrever um post sobre isso aqui, pq esses tempos me caiu a ficha que com os Walverdes (e todo o lance do rock independente brasileiro nos últimos dez anos), eu praticamente vivi dentro de um case constante de Long Tail. E entendi como é que eu soube dar tantas respostas a alguns clientes sem conhecer nada desse tipo de teoria. E acabei dando uma entrevista em video sobre isso pra um blog da Exame aqui em SP hoje.
Mais além eu conto mais e linko a entrevista. Não sei quando vai ao ar.
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Minha primeira impressão desse Proxxima é meio misturada. Bom para ver como as corporações estão pensando. Ao mesmo tempo, ruim notar como falta comportamento e palavras inspiradoras, pouca novidade de fato. Tudo meio andróide.
Ok, aqui não é lugar de procurar inspiração.
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Em compensação, muitos dados e cases interessantes. Mais por isso é que está valendo: ver como grandes marcas estão lidando com a desestruturação do jeito antigo de fazer marketing. Desenvolvo isso nos próximos dias, trazendo um pouco mais de interessância ao assunto, especialmente do ponto de vista humano e não apenas econômico.
05 March 2007
Indo de novo
De volta a São Paulo hoje à noite para o Proxxima, evento de comunicação digital mais voltado à área da publicidade e marketing. Dá uma bizoiada no programa.
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E algo relacionado a isso tudo:
"eu acredito em trabalho de formiguinha. não acredito em revolução."
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Até mais ver. Se a cabeça permitir, posto de lá.
Impermanência

Sexta vi a exposição "Corpo Humano: Real e Fascinante" na Oca em São Paulo. Não sei se você sabe do que se trata, mas basicamente o Dr. Roy Glover dissecou vários corpos humanos, remontando tudo em diferentes posições e recortes. Por causa de uma resina especial, fica tudo conservado e montado de forma que você consegue ver os órgãos, sistemas, os tubos e conexõe com uma crueza perturbadora.
É, como eu disse, extremamente perturbador. Não porque talvez sejam corpos de dissisdentes políticos chineses ou porque simplesmente parece churrasco. Mas porque fica muito clara a nossa fragilidade, em como basta um cortezinho aqui e ali na hora errada e PIMBA.
Eu passei mal. Claro que pode ter sido a mistura do almoço (que foi generoso e ainda não estava totalmente digerido) com a visão daquelas vísceras, mas a real é que durante pelo menos uma hora e meia eu só conseguia pensar na impermanência, em como é realmente um milagre que a gente respira e está vivo, em como a noção de "eu" e de "identidade" é apenas um conceito, um rótulo mental. Porque fica difícil encontrar "eu" naquele amontoado de células de diferentes densidades e "materiais". Eu olhava ao redor as pessoas da exposição e ficava imaginando os esqueletos, o sistema circulatório, etc, tudo aquilo se movendo, envelhecendo, as células se renovando a ponto da "mesma pessoa" nunca ser "a mesma pessoa" porque está tudo simplesmente mudando segundo a segundo. É engraçado, porque o nome da exposição traz esse lance de"Real e Fascinante". Ok, fascinante, de fato. Mas "real"? Aí entram todas aquelas questões a respeito da natureza da realidade e etc... não vou me estender nisso.
O fato é que eu leio, leio e leio sobre impermanência e é tudo muito bonito de se pensar, mas quando vem essas granadas a coisa tem outra coloração, sabe... espero não esquecer disso.
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Por outro lado, as duas tentativas humanas mais prementes permanência: arte e plático. Dei uma olhada na Plastik em SP, a primeira loja (eu acho) que é totalmente dedicada à toy art (e correlatos). Muita coisa legal, em especial dos poucos que conheço, tipo o Gary Baseman (do desenho que abre o post e do Yoshitomo Nara (logo aqui acima).
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O nome da imagem acima do Nara é "Pilgrims", peregrinos. Quando vi, pensei como voltei religioso dessa exposição do corpo humano. É claramente uma atração com viés científico, mas eu voltei extremamente religioso.
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Falando em impermanência e essas coisas, o Eduardo Pinheiro manda avisar que o seu Tzal está recheado de novos posts. Vale um conferes.
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Falei dessa coisa do plástico e da permanência porque tá tudo meio interligado: sexta eu estava em SP para uma reunião com nosso cliente Braskem, que fabrica resinsas termoplásticas, que é o que se utiliza pra fabricar incontáveis "coisas" de plástico, de tupperware a caixas d'água, de embalagem de Ruffles a colete à prova de balas. Estou me inteirando a respeito de toda a cadeia e da cultura do plástico. É fascinante e assustador. Como o corpo humano.
01 March 2007
On the road
Só volto a escrever na segunda pois estarei viajando amanhã e domingo.
Semana que vem volto com algumas novidades, bons inputs para o blog alguns também na estrada.
Até lá.
Lee Perry no Abril Pro Rock em Recife

Está confirmado. Mas isso não quer dizer nada.
Há uns anos ele ia tocar em SP com o Mad Professor. Reuni dinheiro, tirei dias no trabalho e me fui pra SP. Mas o Lee Perry não embarcou. Alegou problemas esotéricos com a passagem aérea e deu um Tim Maia na galera. Pelo menos o show do Mad Professor foi massa.
Travelers and Magicians

Nos comentários do post Idoru e Space Invaders, o Tiago Dória me fez pensar se não somos sempre invasores em outros territórios. E, de fato, acho que somos. Temos a ilusão da permanência em determinados locais e situações, o que ajuda a dar algum conforto, mas na real estamos sempre de passagem. Lembro do conselho de Dzongsar Khyentse Rinpoche, que era algo mais ou menos assim: mantenha sempre uma mente de viajante, ele falou em "wanderer mind". Talvez vagabundo seja melhor do que viajante, mas não o vagabundo que não faz porra nenhuma e sim o vagabundo que "vaga" e que mantém uma mente aberta mesmo sentado no mesmo lugar.
Fácil falar.
Como inspiração e resposta pra essas questões, sugiro uma visita ao Pocket Film For Travelers (dica da Jajá), o site de uma moça aí que tem a manha de viajar e produzir pequenas colagens de audio e video. Impressões particulares (existe alguma que não é) que mostram que o lugar mais interessante pra se visitar não é o Butão ou Barcelona ou Nova Iorque, mas as idéias de alguém. Inclusive as nossas próprias. Viajar é ótimo, eu adoro. Mas tem lugar mais louco e doente e diferente do que dentro da cabeça?






